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Ferramenta desenvolvida pelo Samae permite decisões mais rápidas sobre risco de deslizamentos em Caxias do Sul
Dados pluviométricos e seu impacto sobre encostas embasam o instrumento para auxiliar na prevenção de tragédias
Uma ferramenta alimentada com dados pluviométricos em tempo real e o impacto das chuvas sobre as encostas vai permitir que órgãos públicos tomem decisões mais rápidas e precisas diante de ameaças de deslizamentos em Caxias do Sul. Desenvolvido pelo técnico em hidrologia do Samae e engenheiro agrônomo Márcio Vicente Duarte Adami, o instrumento foi apresentado nesta terça-feira (12), em treinamento realizado na sede do Samae, com participação de servidores da Defesa Civil e das secretarias municipais de Obras e de Meio Ambiente e Sustentabilidade.
A iniciativa ganha importância diante das previsões de chuvas intensas no segundo semestre em função do El Niño. O coordenador da Defesa Civil de Caxias do Sul, tenente Armando da Silva, destaca a importância dessa ferramenta dentro do Plano de Contingência que está em elaboração para guiar as ações do município antes, durante e depois de situações de desastres ou emergências.
“Com esta ferramenta, a Defesa Civil e demais órgãos não estarão apenas monitorando milímetros de água. Estarão ganhando tempo. E tempo é o que separa um alerta de uma tragédia”, destacou Adami.
O sistema utiliza dados das nove estações pluviométricas mantidas pelo Samae no município. A partir dos acumulados de chuva em 24h, 48h, 72h e 96h, além da intensidade das precipitações, a ferramenta informa níveis de risco, classificados em vigilância, atenção, alerta, urgência e evacuação.
Durante a capacitação, o engenheiro explicou as características geológicas de Caxias do Sul. Os solos argilo-siltosos funcionam como uma esponja, acumulando água até atingir a saturação. Em áreas de neossolos litólicos, comuns sobre a rocha basáltica, a infiltração cria condições para o deslocamento de encostas. Adami também destacou o risco em áreas de colúvios — depósitos de terra e pedras de deslizamentos antigos — e em vales dissecados, de grande inclinação, como Galópolis e Vila Cristina.
A intensidade da chuva é o gatilho. Uma chuva de 15mm em uma hora não assusta na cidade, mas numa encosta saturada, é o impacto que falta para romper a pressão interna. “O acumulado enche o copo, a intensidade transborda”, resumiu o especialista ao explicar que a saturação do solo, somada a chuvas intensas, pode desencadear deslizamentos. “Não podemos parar a chuva nem mudar a geologia das nossas encostas. Mas, com essa ferramenta, podemos parar o relógio da tragédia”, concluiu.